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Exemplo: "Circular n.º 8/2021"

Migalhas de pão

3.ª edição do Relatório Anual de Exposição ao Risco Climático

ASF reforça compromisso com solução nacional de responsabilidade partilhada para catástrofes naturais

A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) apresenta a terceira edição do Relatório Anual de Exposição ao Risco Climático (RAERC), aprofundando a análise da exposição dos setores segurador e dos fundos de pensões a riscos climáticos de transição (via carteiras de investimento) e a riscos físicos (via carteiras de incêndio e multirriscos dos ramos Não Vida). O documento confirma a crescente materialidade dos riscos climáticos físicos e de transição para o setor segurador e para os fundos de pensões, num momento em que Portugal volta a enfrentar episódios de tempo severo, como a recente tempestade Kristin — acontecimentos que ilustram a importância crescente da resiliência financeira e estrutural do país.

Nesta edição, a ASF sublinha a necessidade de criar mecanismos nacionais de resiliência e de responsabilidade partilhada que ultrapassem a capacidade de resposta isolada das famílias, empresas e do próprio setor segurador, com vista ao reforço da mutualização do risco e da capacidade de absorção de perdas excecionais.

A ASF considera que persistem lacunas de proteção face aos riscos físicos e que, sem mecanismos coletivos de resiliência, os impactos materiais e humanos de fenómenos extremos tenderão a agravar-se.

“A crescente materialidade dos riscos de catástrofes naturais, especialmente os que podem gerar impactos sistémicos, exige soluções que ultrapassem a capacidade de resposta individual. É relevante promover mecanismos de resiliência partilhada, envolvendo os diversos stakeholders e o Estado, para facilitar a mutualização do risco e reforçar a proteção financeira da sociedade”, afirma Gabriel Bernardino, Presidente da ASF, na mensagem de abertura do Relatório.
 

Principais conclusões do RAERC 2025

Exposição a riscos climáticos físicos por via de coberturas seguradoras não vida:

  • Estima-se que a exposição agregada do setor segurador aos riscos climáticos físicos, associados à carteira de apólices de seguro de incêndio e multirriscos, tenha evoluído para cerca de 1 010 mil milhões de euros (+11,7%). Esta exposição agregada distribui-se por níveis de riscos diferenciados ao longo do território, e reflete predominantemente o segmento de habitação e a cobertura de edifícios.

  • A análise aos riscos de incêndio rural confirma que a maioria do capital seguro se encontra em zonas de perigosidade nula ou muito baixa, sobretudo em áreas urbanas. Contudo, persistem concentrações relevantes de risco médio, alto e muito alto nos territórios do interior e centro do país, onde a perigosidade estrutural é superior.

  • Para o risco de inundação, a maioria do capital seguro situa-se em zonas com scores inferiores a 0,5 (numa escala de 0 a 1, onde 1 corresponde ao risco mais elevado), indiciando níveis de risco globalmente moderados.

  • Contudo, importa recordar que uma parte substancial dos agentes económicos não dispõe de proteção seguradora face a riscos climáticos físicos. Por isso, é relevante promover a implementação de mecanismos de resiliência partilhada, que contribuam para reduzir as lacunas de cobertura e para aumentar a robustez coletiva face aos desafios climáticos que se tornam cada vez mais exigentes.

  • Para o risco de inundação, a maioria do capital seguro situa-se em zonas com scores inferiores a 0,5 (numa escala de 0 a 1, onde 1 corresponde ao risco mais elevado), indiciando níveis de risco globalmente moderados.

  • Contudo, importa recordar que uma parte substancial dos agentes económicos não dispõe de proteção seguradora face a riscos climáticos físicos. Por isso, é relevante promover a implementação de mecanismos de resiliência partilhada, que contribuam para reduzir as lacunas de cobertura e para aumentar a robustez coletiva face aos desafios climáticos que se tornam cada vez mais exigentes.

 

Exposição a riscos climáticos de transição por via das carteiras de investimentos:

  • Na exposição a riscos climáticos de transição por via de posições de dívida soberana, destaca se a tendência de exposição a soberanos que registam maiores avanços na sua transição climática. Em termos evolutivos, todas as carteiras de dívida soberana dos setores supervisionados registaram uma melhoria anual do score climático médio.

  • Nos títulos de dívida privada reforçou-se a proporção de dívida alocada a empresas com menor intensidade carbónica, isto é, com menor rácio de emissões carbónicas por volume de negócio (50% e 46%, respetivamente nos setores segurador e de fundos de pensões).

  • Ao nível das posições acionistas, existe alguma vulnerabilidade teórica aos riscos climáticos de transição, fruto da maior proporção a contrapartes com intensidades carbónicas intermédias. Contudo, esta é mitigada pelo peso contido dessa classe de ativos nos portefólios dos setores supervisionados.

 

Perspetivas futuras de exposição dos setores supervisionados aos riscos climáticos:

  • Os elevados níveis de tensão e incerteza geopolíticos têm gerado protecionismo económico, fragmentação, e repercussões na definição de objetivos e metas ambientais, bem como na permanência em metas supranacionais, em particular o Acordo de Paris.

  • A nível europeu, destacam-se as iniciativas políticas e regulatórias com o objetivo de rebalancear a ambição de sustentabilidade com maior simplificação, visando a retoma de competitividade económica. O momento atual é marcado por revisão de vários diplomas legislativos nesta área, no sentido de reconfiguração do fluxo de informação de sustentabilidade e também com efeitos sobre a responsabilidade empresarial de sustentabilidade.

A terceira edição do RAERC consolida um histórico evolutivo e aprofunda metodologias para diagnosticar a exposição dos setores aos riscos climáticos (de transição e físicos), em cumprimento da Lei de Bases do Clima e da missão da ASF de promover a estabilidade e resiliência dos mercados que supervisiona.

Consulte o Relatório Anual de Exposição ao Risco Climático dos setores Segurador e dos Fundos de Pensões

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