3.ª edição do Relatório Anual de Exposição ao Risco Climático
ASF reforça compromisso com solução nacional de responsabilidade partilhada para catástrofes naturais
A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) apresenta a terceira edição do Relatório Anual de Exposição ao Risco Climático (RAERC), aprofundando a análise da exposição dos setores segurador e dos fundos de pensões a riscos climáticos de transição (via carteiras de investimento) e a riscos físicos (via carteiras de incêndio e multirriscos dos ramos Não Vida). O documento confirma a crescente materialidade dos riscos climáticos físicos e de transição para o setor segurador e para os fundos de pensões, num momento em que Portugal volta a enfrentar episódios de tempo severo, como a recente tempestade Kristin — acontecimentos que ilustram a importância crescente da resiliência financeira e estrutural do país.
Nesta edição, a ASF sublinha a necessidade de criar mecanismos nacionais de resiliência e de responsabilidade partilhada que ultrapassem a capacidade de resposta isolada das famílias, empresas e do próprio setor segurador, com vista ao reforço da mutualização do risco e da capacidade de absorção de perdas excecionais.
A ASF considera que persistem lacunas de proteção face aos riscos físicos e que, sem mecanismos coletivos de resiliência, os impactos materiais e humanos de fenómenos extremos tenderão a agravar-se.
“A crescente materialidade dos riscos de catástrofes naturais, especialmente os que podem gerar impactos sistémicos, exige soluções que ultrapassem a capacidade de resposta individual. É relevante promover mecanismos de resiliência partilhada, envolvendo os diversos stakeholders e o Estado, para facilitar a mutualização do risco e reforçar a proteção financeira da sociedade”, afirma Gabriel Bernardino, Presidente da ASF, na mensagem de abertura do Relatório.
Principais conclusões do RAERC 2025
Exposição a riscos climáticos físicos por via de coberturas seguradoras não vida:
Estima-se que a exposição agregada do setor segurador aos riscos climáticos físicos, associados à carteira de apólices de seguro de incêndio e multirriscos, tenha evoluído para cerca de 1 010 mil milhões de euros (+11,7%). Esta exposição agregada distribui-se por níveis de riscos diferenciados ao longo do território, e reflete predominantemente o segmento de habitação e a cobertura de edifícios.
A análise aos riscos de incêndio rural confirma que a maioria do capital seguro se encontra em zonas de perigosidade nula ou muito baixa, sobretudo em áreas urbanas. Contudo, persistem concentrações relevantes de risco médio, alto e muito alto nos territórios do interior e centro do país, onde a perigosidade estrutural é superior.
Para o risco de inundação, a maioria do capital seguro situa-se em zonas com scores inferiores a 0,5 (numa escala de 0 a 1, onde 1 corresponde ao risco mais elevado), indiciando níveis de risco globalmente moderados.
Contudo, importa recordar que uma parte substancial dos agentes económicos não dispõe de proteção seguradora face a riscos climáticos físicos. Por isso, é relevante promover a implementação de mecanismos de resiliência partilhada, que contribuam para reduzir as lacunas de cobertura e para aumentar a robustez coletiva face aos desafios climáticos que se tornam cada vez mais exigentes.
Para o risco de inundação, a maioria do capital seguro situa-se em zonas com scores inferiores a 0,5 (numa escala de 0 a 1, onde 1 corresponde ao risco mais elevado), indiciando níveis de risco globalmente moderados.
Contudo, importa recordar que uma parte substancial dos agentes económicos não dispõe de proteção seguradora face a riscos climáticos físicos. Por isso, é relevante promover a implementação de mecanismos de resiliência partilhada, que contribuam para reduzir as lacunas de cobertura e para aumentar a robustez coletiva face aos desafios climáticos que se tornam cada vez mais exigentes.
Exposição a riscos climáticos de transição por via das carteiras de investimentos:
Na exposição a riscos climáticos de transição por via de posições de dívida soberana, destaca se a tendência de exposição a soberanos que registam maiores avanços na sua transição climática. Em termos evolutivos, todas as carteiras de dívida soberana dos setores supervisionados registaram uma melhoria anual do score climático médio.
Nos títulos de dívida privada reforçou-se a proporção de dívida alocada a empresas com menor intensidade carbónica, isto é, com menor rácio de emissões carbónicas por volume de negócio (50% e 46%, respetivamente nos setores segurador e de fundos de pensões).
Ao nível das posições acionistas, existe alguma vulnerabilidade teórica aos riscos climáticos de transição, fruto da maior proporção a contrapartes com intensidades carbónicas intermédias. Contudo, esta é mitigada pelo peso contido dessa classe de ativos nos portefólios dos setores supervisionados.
Perspetivas futuras de exposição dos setores supervisionados aos riscos climáticos:
Os elevados níveis de tensão e incerteza geopolíticos têm gerado protecionismo económico, fragmentação, e repercussões na definição de objetivos e metas ambientais, bem como na permanência em metas supranacionais, em particular o Acordo de Paris.
A nível europeu, destacam-se as iniciativas políticas e regulatórias com o objetivo de rebalancear a ambição de sustentabilidade com maior simplificação, visando a retoma de competitividade económica. O momento atual é marcado por revisão de vários diplomas legislativos nesta área, no sentido de reconfiguração do fluxo de informação de sustentabilidade e também com efeitos sobre a responsabilidade empresarial de sustentabilidade.
A terceira edição do RAERC consolida um histórico evolutivo e aprofunda metodologias para diagnosticar a exposição dos setores aos riscos climáticos (de transição e físicos), em cumprimento da Lei de Bases do Clima e da missão da ASF de promover a estabilidade e resiliência dos mercados que supervisiona.
Consulte o Relatório Anual de Exposição ao Risco Climático dos setores Segurador e dos Fundos de Pensões